sábado, 20 de junho de 2015

Londres


Não sei bem explicar porque já fui a Londres quatro vezes e nunca escrevi sobre a cidade aqui no blog.
Talvez vocês pensem que seja porque eu não goste muito da cidade.
Ao contrário... a-do-ro!




É provável que eu não tenha escrito porque sendo uma das cidades mais visitadas do mundo há tantos blogs falando sobre Londres que escrever termina sendo um pouco mais do mesmo.
Mas irei escrever um pouco das minhas impressões tentando fugir um pouco do lugar comum.

Minha primeira ida foi com a minha irmã em 2003 e fiquei próximo à estação Gloucester Road do metrô. Cheguei por Heathrow e usei o metrô linha Picadilly para ir até o hotel. Facinho.
Primeira viagem é fascínio total. Londres foi minha porta de entrada para o continente europeu. Primeira viagem. Primeira cidade.
Andei por todos os pontos turísticos famosos da cidade e fui embora para Paris tão fascinada que não consegui dar à cidade luz o seu devido mérito. Achei-a suja e desorganizada à primeira vista, visto Londres ser quase asséptica naquela época.

Segunda vez em Londres: 2007 com o Marcelo, depois de Lisboa e antes da Espanha, numa viagem de 27 maravilhosos dias.
Ele não conhecia, então voltei a todos os pontos turísticos: London Eye, Big Ben, Picadilly Circus, Leicester Square, Tower of London, London Bridge, Tower Bridge, etc.
Mas desta segunda vez aproveitei mais os pubs. Já não tinha tanta pressa de conhecer as coisas mais óbvias e, além disso, foram mais dias de estada.
Ficamos próximo a St Pancras e foi perfeito para andar tanto de metrô como de ônibus.



Terceira vez foi com uma amiga em 2014.
O roteiro foi Londres, Zurich e Milão, que foi determinado após eu ter encontrado por casualidade uma passagem de ida e volta por exatos 1550,00 reais, incluindo as taxas. Uma barbada, pois as taxas de aeroporto em Londres são caras, encarecendo por conseqüência o valor da passagem.
Novamente fui com alguém que não conhecia e fizemos tudo que tem direito como turistas.
Mas me falem quem acha ruim ficar voltando para caminhar à beira do Tâmisa ou para rever as obras dos incríveis museus de Londres?



Desta vez fiquei no melhor lugar das quatro viagens: o Ridgemount Hotel (site do hotel). Localização perfeita, próximo ao British Museum e a menos de 1 km do Soho, ao lado da estações Goodge Street e Russell Squares do metrô, além de ter várias linhas de ônibus passando na porta. O hotel é gerido por uma simpática família com pessoas sempre muito simpáticas e atentas. Até hoje sinto saudade do delicioso café da manhã do hotel.

British Museum

Sei que o metrô de Londres é uma instituição e que faz parte dos passeios turísticos, mas andar de ônibus é fundamental, especialmente se tiver lugar no segundo andar dos double decker bus. Londres é linda e estar todo o tempo se deslocando por baixo das suas belezas é desperdício.
Nesta viagem, alem de acompanhar a amiga nos lugares ditos obrigatórios, fui com uma lista de pubs e mercados de rua que não tinha aproveitado muito nas viagens anteriores. 

Borough Market

Mercado em Camden Town

Ficamos sete dias. Meu conselho: quem puder ficar uma semana em Londres deveria ficar. A cidade é grande, os deslocamentos cansam, o metrô às vezes é caótico e o trânsito idem, então, apesar de ter estação de metrô para todos os lados e de uma vasta rede de ônibus, o tempo gasto em deslocamentos é considerável. E o outro conselho é ir com uma listinha de pubs alem da listinha das coisas obrigatórias a fazer. Os pubs de Londres são uma atração à parte. 


Quarta vez em Londres: estamos em 2015 e estou passando um tempo da minha vida em Madrid. A irmã que viajou comigo em 2003 estava indo passar uns dias em Londres. Não pensei muito e decidi ir também.
Desta vez fiquei no Easy Hotel de Earls Court e tenho algumas ressalvas:
-       nunca, a não ser que você esteja bem sem grana, opte pelo quarto sem janela deste hotel. É garantia de falta de ar, mesmo para quem não é claustrofóbico. E pelo preço que é o quarto sem janela acho que dá para encontrar algum hotel com banheiro compartilhado, mas com ar respirável.
-       Não gostei da localização. Apesar da estação de metrô de mesmo nome estar bem próxima o deslocamento é difícil porque venta muito (friooo) e também não há uma rede de ônibus que você possa usar para se deslocar para muitos pontos da cidade.
Que fiz desta vez?
Fui em Brick Lane no domingo, dia do famoso mercado de rua, pois em 2014 fui lá mas era um dia de semana. Fui pensando numa muvuca maior do que a que vi. É bem tolerável a quantidade de gente. O mercado de Portobello Road é mais cheio.



Portobello Road num dia SEM mercado

Andei pelo pier que fica por trás da Tower Bridge, lugar muito bacana cheio de bares e com uma vista diferente da Tower Bridge.





Voltei ao Borough Market porque adoro esse mercado.



Andei mais pelas ruazinhas de Covent Garden me deparando com lugares como esse aqui:



E, claro, fui a vários pubs :)



Algumas diquinhas básicas:
- Londres é cara, mas seus museus são grátis :)
- Mesmo indo com pouca grana é possível com 5 libras comer um "meal deal" de supermercado e ser feliz;
- A polícia de fronteira do aeroporto costuma perguntar muito e é bom você ir com seus documentos em dia e provar que tem dinheiro para custear sua estadia;
- Se chegar por Heathrow vai haver metrô que te leva ao centro da cidade. Se chegar por outro aeroporto, os trens ou ônibus que te levam ao centro são caros, mesmo os mais baratos. Desse modo, se está sozinho ou em dois é melhor pagar o preço do ônibus ou trem, mas se estiver em três ou mais dê uma olhada nesse site de transporte privativo que usei e achei que valeu a pena: www.simpleairporttransfers.com



sexta-feira, 19 de junho de 2015

Zurich (com bate e volta a Lausanne, Berna e Lugano)


Fui a Zurich em 2014 numa viagem cujo roteiro incluía tembém Londres e Milão.

Fiquei na casa do amigo da amiga que viajava comigo.

Foi uma viagem diferente das demais, visto que ao invés de ficar muitos dias num local só, como geralmente faço, desta vez foram muitas cidades em pouco tempo.
Tínhamos três dias inteiros em Zurich. Passeamos pela cidade dois dias e no terceiro andamos pelo país.
Logo ao chegar em Zurich compramos um passe de trem que nos dava direito a andar o país inteiro, descendo e subindo do trem em quantas cidades quiséssemos, durante 24 horas. Então, fizemos um roteiro que saía de Zurich e incluía Lausanne (na Suíça francesa), Berna (a capital) e Lugano (na Suíça italiana).

A Suíça, país com cerca de 8 milhões de habitantes e mundialmente conhecida pela alto nível de qualidade de vida, está dividida em Estados chamados de cantões e é constituída por quatro principais regiões linguísticas e culturais: alemão, francês, italiano e romanche.



Logo ao chegar em Zurich andamos pelo belo centro medieval que me chamou a atenção por estar com muitos poucos turistas. 



Nossa refeição logo ao primeiro dia foi foundue de queijo num restaurante muito típico, aí no centro histórico. Sensacional!


Para quem vai a algum hotel onde tenha frigobar ou para quem vai ficar em apartamento recomendo fortemente que vá ao supermercado e compre uma variedade de queijos para o café da manhã. Os queijos são absolutamente deliciosos. Aproveitando a ida ao supermercado não deixe de comprar chocolates. São corredores inteiros só com chocolates, gôndolas e mais gôndolas com várias marcas. O famoso Lindt tem um sabor mais especial aqui e os que mais gostei foram os da marca Frey. Não, não são baratos, nem os chocolates nem os queijos. Aliás, nada é barato na Suiça. 


café mais caro da vida

Um outro lugar onde comi queijos maravilhosos foi na Estação central de trem onde havia umas barraquinhas com uma feira de comida e bebida. Infelizmente não tenho como dizer se o mercado é fixo ou era algo de temporada. Além disso, na mesma estação central de trem há um restaurante de peixes e frutos do mar, onde se paga por kg, e que é altamente recomendável.

Aliás, a estação de Zurich é gigantesca e tem um volume imenso de pessoas deslocando-se aí dentro. Me parecia que tinha mais gente dentro da estação do que na cidade.E o que não faltam na estação são lojas, locais para comer, supermercados, cafés, e toda gama de estabelecimentos comerciais.


A região do Kreis 5 de Zurich foi transformada de uma região abandonada em uma região "hypada". Aí está a loja matriz das famosas bolsas Freitag, que é toda feita de containers e uma região com lojinhas que surgiram após a revitalização de um viaduto anteriormente abandonado, o Im Viadukt.




Saindo de Zurich, a primeira cidade onde fizemos pit stop com nosso passe de trem foi Lausanne. A cidade me impressionou pelo excelente sistema de transporte que tem.Pequena, mas com transporte altamente funcional.
Aliás, o sistema de transporte da Suiça como um todo é sensacional, eles são famosos por isso e fazem jus à fama que têm. O sistema de transporte de Zurich, ainda que sem metrô, é amplo, com várias linhas de tramway e ônibus, com múltiplas conexões e, principalmente, muita pontualidade O mesmo serve para os trens que saem da estação central.

Voltando a Lausanne, que é sede do Comitê Olímpico Internacional, o ponto principal de turismo da cidade é seu lago, de onde se pode ver a França na outra margem.
É muito linda a cidade, limpa, tranquila, mas me pareceu meio sem vida. Claro, fiquei lá talvez pouco mais que uma hora e não deveria estar dando esse tipo de opinião que pode não refletir a realidade, mas enfim, foi a impressão que levei do lugar.





De Lausanne fomos para Berna, capital do país, com 120 mil habitantes.

Em Berna passeamos pela rua principal do centro e aí almoçamos comida pronta de supermercado.
Há um centro medieval com um belo desenho de ruas em Berna e dessa cidade o que posso dizer é que fiquei com um enorme gosto de quero mais.

Vejam essa foto tirada da internet e tenho certeza que concordarão comigo que nesta cidade não se pode ficar somente poucas horas sem querer voltar um dia:


Fotos minhas de Berna:





O último pit stop foi em Lucerna, cidade que está na Suiça alemã e é a mais turística do país. A cidade abriga o famoso Lago dos Quatro Cantões, cuja vista dá para os Alpes, então nem faz falta comentar qual a visão que temos quando estamos na beira do lago. A linda ponte que adentra no lago, chamada de Kapellbrücke, é a ponte de madeira mais antiga da Europa.
Além disso, o centro histórico com seu desenho medieval é belíssimo.




O fato é que depois dessa ida fiquei com muita vontade de voltar à Suiça. Mas só o farei quando tiver mais tempo e, sobretudo, mais dinheiro porque não é fácil o preço das coisas por lá.


IMPRESSÕES SUICIANAS:

- a pontualidade dos tramways e trens é de impressionar;
- é massa andar de trem e ir ouvindo a voz de avisos ir mudando de alemão, para italiano, para francês, para alemão, a depender da região pela qual o trem vai se deslocando;
- o dinheiro suiço foi o mais lindo que já vi;



- preparem os bolsos porque o país leva a sério a palavra caro;
- Zurich, onde tomei o café mais caro da vida;
- Berna, onde vi o ímã de geladeira mais caro da vida;
- a Confederação Suiça tem como nome original Confederação Hevéltica, que por sua vez vem de uma tribo celta, os helvécios. O domínio de internet da Suiça é "ch", que é uma referência à tal  Confederação Hevéltica;
- or fim, nas minhas impressões uma coisa que não poderia deixar de dizer sobre a Suiça: já me perguntava, mesmo antes de Swiss Leaks e escândalo FIFA, como podia aquele país abrigar sede de tantos lugares que sabemos envolvidos em corrupção, como o COI, FIFA, grandes bancos... é meio chocante andar pelo centro de Zurich, ir vendo os prédios imensos dos maiores bancos mundiais e pensar que um país supostamente tão sério e tão neutro pode ser paraíso fiscal para tanta gente no mundo.

Chicago




 Fui a Chicago em 2013 para um congresso logo após um outro congresso em San Francisco.
Estava fascinada com San Francisco e chegando em Chicago não me senti encantada. Talvez porque fiquei com vontade de quero mais na Califórnia e talvez porque não encontrei, nos poucos dias em que lá estive, a Chicago que povoava o meu imaginário: a cidade dos filmes noir, da lei seca, dos clubes de jazz mais underground, uma cidade um pouco marginal.

Acho que Chicago deveria ser uma cidade em preto e branco. Seria mais bonita (não que ela não o seja). Mas não sei, esperava uma outra aura para a cidade e o que vi foi um apelo ao consumo tão grande que me deu comichão.



Provavelmente em parte me senti incomodada com o apelo ao consumo como efeito colateral da região onde fiquei, a Magnificent Mile, repleta de lojas de marcas com preços acessíveis, também conhecido como, mesmo sem necessitar você termina sendo contaminado e compra mais do que deveria (muito raro eu fazer isso) e também pelo pouco tempo que tive. Só dois dias para uma cidade tão grande termina fazendo com que você fiquei preso ao centro e áreas turísticas e não se desloque para bairros mais autênticos.


Além de andar pela região aproveitando alguns pubs, restaurantes e pizzarias, fui ao famoso Andy's Jazz Club, um lendário clube de jazz da cidade, caminhei bastante pelas margens do rio, o passeio mais bonito de Chicago, e fui ao Navy Pier e Millennium Park. O melhor foi finalmente conhecer o famoso Museu de Arte Contemporânea de Chicago que tem um baita acervo e de lambuja estava com uma exposição sobre Impressionismo Francês. Muito bom!








terça-feira, 26 de maio de 2015

BUITRAGO DE LOZOYA

Buitrago de Lozoya fica a 75 km de Madrid e é uma das cidades que se pode conhecer em um dia fazendo um bate e volta, caso você esteja na capital espanhola.
O ônibus que vai para Buitrago (1:50h de viagem) sai do Intercambiador Plaza de Castilla, onde se chega facilmente com o metrô da Linha 1.

A pequena cidade, com seus menos de 2000 habitantes, é famosa por sua muralha que data do século XI ou XII e que se encontra íntegra desde a sua construção. A muralha não se sabe exatamente se foi levantada pelos muçulmanos ou pelos cristãos nos primeiros momentos da Reconquista, visto que as muralhas cristãs da época estavam profundamente influenciadas pela arquittrura muçulmana.
Como o local onde está Buitrago é rodeado pelo Rio Lozoya (que lhe servia de fosso natural) e como sua posição era estratégica para saída pelas rodovias, a cidade foi murada com o fim de ser defendida contra invasões.
Em sua história Buitrago leva marcas importantes por ter servido de residência a um importante marquês, o Marquês de Santillana que aí construiu seu castelo, e posteriormente por ter sido invadida e bastante destruída pelas tropas de Napoleão. Ademais, durante a Guerra Civil foram destruídas importantes igrejas locais além do Hospital de San Salvador.



Nos programamos para chegar em Buitrago por volta das 12:30h, andaríamos um pouco, almoçaríamos e depois andaríamos mais. Porém, meu conselho a quem vai para qualquer cidade espanhola em bate e volta é não ir neste horário, pois pegará justamente a hora da siesta.

Os principais pontos a serem visitados na cidade são: seu centro histórico com a muralha, o castelo, a igreja Santa Maria del Castillo e o Museu Picasso.
A este horário das 13:30 até as 16:00 tudo está fechado para a siesta. Então, melhor ter cuidado com a hora que vai ou a viagem pode ser frustrante.

Assim, com igreja fechada, acesso à plaza de toros e à parte alta da muralha fechados e castelo fechado, o que fizemos foi andar por fora dos monumentos e ir ao Museu Picasso.


pracinha em Buitrago

muralha

Iglesia de Santa Maria Del Castillo

torres do castelo ao fundo

Museu Picasso

E por que em Buitrago há um Museu Picasso?

O museu alberga a coleção que Picasso presenteou a Eugenio Arias, cabeleireiro espanhol, nascido em Buitrago, e que foi grande amigo de Picasso. Os dois se conheceram em Toulouse. Posteriormente Picasso instalou-se em Vallauris (França) onde também vivia Arias, que logo converteu-se em seu cabeleireiro, amigo fiel e confidente. O que os unia eram suas idéias políticas (ambos membros do partido comunista), seu amor por Espanha e pelos touros, além de um respeito e confiança tremendos.

Arias dizia antes de morrer (morreu aos 98 anos) que o museu Picasso de Buitrago era único no mundo por ser um museu dedicado ao mesmo tempo à arte e à amizade.

A coleção do museu mostra o amor de Picasso e Arias pela paz e pela justiça social, pelo mundo taurino e pela Espanha.

O pequeno museu é uma pérola por trazer aos nossos olhos obras inéditas que estão impregnadas pelo amor e lealdade entre dois amigos. 

O museu está aberto de terça a sexta das 11:00 às 13:45 e das 16:00 às 18:00, sábado de 10:00 às 14:00 e 16:00 às 18:00 e domingo das 10:00 às 14:00. A entrada é gratuita.
Quando fomos ainda vimos na Sala de Exposições Municipal uma exposição com peças de vestuário desenhadas por Picasso para o espetáculo El Sombrero de Tres Picos. Uma preciosidade.

retrato de Jacqueline, presente para Arias     


retrato da mãe de Arias, feito motivado pela petição de anistia para os espanhóis presos