segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Marseille

Marseille é uma cidade de 1 milhão de habitantes, capital da região conhecida como PACA (Provence-Alpes-Côte d'Azur). É a segunda maior cidade da França e a mais antiga deste país.
Marseille foi fundada pelos gregos passando posteriormente para o domínio romano e é conhecida pelo seu lado revolucionário (foram as tropas revolucionárias marselhesas que deram o título ao hino nacional francês).

Por ser uma cidade portuária, Marseille tem a característica de abrigar muitos imigrantes. Por isso mesmo, a cidade é vibrante, multicultural, multilíngue e cheia de vida.
Se você quer ver franceses e visitar uma cidade tipicamente francesa, no sentido restrito do termo, nem vá para Marseille. Em muitos bairros o que pouco se vê são franceses.

No entanto, Marseille é também suja e perigosa (dizem as más línguas, já que eu vi sujeira, mas não vi nada de perigo por lá). Sim, tem muitos cantos meio sinistros, que talvez ofereçam mesmo perigo, mas pode ser somente por falta de iluminação em algumas ruas e por ouvir falar de assaltos e roubos que algumas vezes fiquei receosa.  Bom, mas sempre acho que uma pessoa que vive em São Paulo deve ficar atenta, mas não deve temer andar por (quase) nenhuma cidade européia.

Essa parte do litoral francês tem uma bela geografia, com os maciços de calcário formando falésias e proporcionando um lindo contraste das pedras brancas com o profundo azul do Mediterrâneo. Quem tiver a sorte de pousar em Marseille num dia de sol, como foi nosso caso, vai ver o belo espetáculo que é  a geografia local (pena que não fotografei, estava nervosa com o pouso num avião pequenino, aff).

Ficamos no Hotel Premiere Classe Marseille Centre que tem uma ótima localização e que é bom para quem não quer gastar muito, porém não espera algo muito confortável. Assim, como boa parte da França, essa região não é muito provida de hotéis com bons preços.

O primeiro dia na cidade foi de um sol explêndido e céu de brigadeiro, então decidimos ir logo ao alto para ter um panorama e uma idéia de onde estávamos. Um dos símbolos de Marseille é a igreja Notre-Dame de la Garde que exige do seu visitante pernas fortes o suficientes para aguentar uma subida íngreme.
Nesta manhã, além de conhecermos a icônica igreja, conhecemos também o famoso vento Mistral, vento forte característico da região da Provence, que neste dia resolveu dar o ar da graça... não neste dia, mas em alguns outros o ventinho já chegou a atingir a velocidade 120 km/hora. Os passeios para as Ilhas (onde está o Chateau d'Ifi, imortalizado por Dumas em O Conde de Montecristo) que estão aí na foto estavam suspensos devido ao vento (dá para ver na foto que não há barcos indo em direção às Ilhas).



O melhor dessa subida, depois desse panorama lindíssimo aí acima, foi a figura que encontramos no meio do caminho. Estávamos indo por uma trilha completamente deserta, sem mais ninguém subindo junto com a gente, quando encontramos um cara que ficou enlouquecido quando dissemos que vínhamos do Brasil. Essa pessoa já havia conhecido 80 países e nos disse que o Rio de Janeiro é a mais bela cidade de todas, sendo seguida por Sidney. Foi ele que nos mostrou o caminho mais curto para chegar ao topo e que nos encorajou a subir somente para ver a vista, já que a "bonne mère" como é chamada a Nossa Senhora que está no topo da igreja, para ele, ateu convicto, deveria chamar-se "mauvaise mère".

No dia seguinte fomos conhecer a região da Cours Julien, região mais "hype" de Marseille, onde se concentram os artistas de rua, onde há vários restaurantes (das mais variadas nacionalidades) e bares, onde acontecem festas, shows e encontros literários. Ok. Tem várias coisas interessantes por lá, mas não sei se fomos no dia errado... o fato é que não vi tanta animação assim. Fomos de dia conhecer e voltamos em outra noite para jantar. O que me chamou a atenção foi a democracia do lugar, onde ao mesmo tempo em que havia festinhas regadas a muita bebida, cigarro e "joint", havia também várias crianças brincando na pracinha, aparentemente filhos de quem estava nas festas.



No mesmo dia das andadas pela Cours Julien e pela Place Jean Jauré, que fica aí próximo e é tomada por uma diversificada feira de imigrantes, fomos também ao Le Panier, um dos bairros mais antigos da cidade e local original de chegada de muitos dos imigrantes que hoje estão na cidade. Hoje o Panier ainda abriga muitos imigrantes, mas está mais para atração turística do que para local de moradia. 
Suas ruazinhas íngremes e estreitas são encantadoras e no dia em que eu voltar a Marseille vou ver se encontro um hotel por lá.



 
 

Foi no Panier que eu tomei a típica e deliciosa cerveja Marselhesa, a La Cagole. Ótima!

 

O próximo canto marcante na cidade é o Vieux-Port. Marseille será capital européia da cultura em 2013 e, portanto, seu porto está sendo reformado. Não é muito sortudo quem está visitando a cidade esta época porque o lugar é bem bonito, mas a coisa toda está meio bagunçada. Obras e coisa e tal... além disso tem os cartazes com fotos de como vai ficar e.. vai ficar ainda mais bonito depois da reforma (motivo para voltar!).
O Vieux-Port é também o lugar mais turístico da cidade. Cheio de restaurantes caros e com menu do dia, mas procurando dá para encontrar algum lugar interessante. Nosso primeiro almoço-jantar foi lá e foi lá também que enchemos nossas pancinhas de "moules et frites" e tomamos nossas primeiras das muitas taças de rosé que a Provence ainda nos proporcionaria degustar.



Mas Marseille não é só Vieux-Port, ruelas do Panier e sua região central. Com o ônibus #83 você pode sair do centro antigo, ir margeando toda a costa e vendo paisagens lindas.




É neste caminho que fica o Vallon des Auffes, um mini porto e região de pescadores com restaurantes especializados em frutos do mar. Chegamos lá no fim da tarde e tivemos que esperar abrir o restaurante por uns 50 minutos (por sinal, o restaurante chama-se Pizzaria Chez Jeannot; não consigo entender quem é o doido que num lugar daqueles vai comer pizza). Enquanto isso o sol foi se pondo e tivemos este espetáculo aí:





No quarto e último dia de Marseille fomos passar o dia numa cidade próxima chamada Cassis. O grande atrativo de Cassis são os Calanques, formações rochosas calcáreas típicas da região sul da França. Peguei essa foto da internet para dar uma mostra do que são os Calanques de Cassis:


Sim, peguei da internet porque não chegamos a ver os Calanques, logo, não tenho fotos do lugar. Até tentamos ir. Entramos num barquinho com mais 8 pessoas e fomos fazer o único passeio que estava liberado naquele dia, o passeio das 3 Calanques (tem passeios com 3, 6 e até 12 calanques), pois o vento estava forte e só era permitido o passeio mais curto. Esquecemos de fazer o link que vento forte é igual a mar agitado e naquele dia em especial, era igual a mar MUITO agitado.
O passeio foi um pesadelo, com todo mundo em pânico, um barco minúsculo afundando o bico na água até que, após muita água entrar na proa, seu alarme apitou e eu gritando desesperada pedi ao condutor para voltar. Foi quando todo mundo concordou e pediu o mesmo.
Resumo da ópera, não entre nunca num barco para ver calanques se estiver escrito no guichê de compra de ingresso "vento forte hoje"!!
Só ao descer do barco minúsculo é que nos demos conta de que, pelo menos a olhos vistos, não havia colete salva-vidas. Absurdo!

Excetuando esse tormento, Cassis é uma cidade que vale ser visitada, melhor ainda se o tal vento Mistral estiver bem longe do litoral.




Impressões Marselhesas:

- Marseille é uma cidade mais do mundo do que da França;

- Apesar de ser uma cidade multi-cultural a noite é meio morna e acaba cedo;
- O trânsito é bem confuso e o pedestre, assim como o motorista, é muito mal educado;
- Lembrou-me Barcelona em alguns aspectos;
- O vento Mistral é bem irritante;








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