quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Bérgamo

Amei Bérgamo! Pronto, já comecei falando tudo que tinha para dizer.
Mas falemos um pouco de história e informações sobre a cidade.


Bérgamo é a capital da Lombardia e é mais conhecida pelo seu aeroporto que leva diariamente centenas de pessoas a Milano do que pela sua beleza propriamente dita.
E é justamente daí que começou o meu amor pela cidade. Pousamos e encontramos o aeroporto cheio, mas enquanto nos deslocávamos para o centro as pessoas estavam indo para outro lugar, ou seja, Milão, ou seja... Bérgamo não ficou lotada de turistas. E eu estava sentindo falta de um lugar assim. Fiquei felicíssima com a rara chance de andar por ruas vazias, sem grupos guiados por alguém segurando um guarda-chuva-vermelho-fechado-apontando-para-o-céu, sem ruídos exagerados, sem filas para restaurantes, enfim, sem tudo que o turismo em massa traz de ruim. Poucas vezes viajei para um lugar ao mesmo tempo lindo e vazio de gente.

A cidade é dividida em Città Bassa e Città Alta. É na primeira que está o centro financeiro da cidade e na segunda onde está a sua história mais antiga. Estava animada com a chance de conhecer a bela Città Alta e menosprezei a Città Bassa, mas esta última é igualmente bela e uma agradável surpresa.

A cidade foi construída pelos etruscos e já esteve sob domínio do Império Romano, da República de Veneza e dos Austríacos... tudo isso deixa marcas na arquitetura e no comportamento da cidade. E apesar de ter havido a parte triste nesses domínios, onde guerras e fome de poder levam a destruição, o que ficou em Bérgamo é de encher os olhos de qualquer um.

Na Città Alta a Piazza Vecchia, datada do século XV, é composta pela Biblioteca Angelo Maj, o Palazzo della Raggione, o Campanone (torre cívica), a Fontana del Contarini, o Palazzo Nuovo e a Universidade de Bérgamo. 
Deixo aqui "apenas" a vista desde o Campanone:




Ao lado da Piazza Vecchia está a Piazza del Duomo. Gente! A Basílica de Santa Maria Maggiore é uma coisa de enlouquecer! É tanta beleza que eu não sabia para onde olhar. Deixo abaixo algumas fotos. Vizinha a ela está o Duomo, belo mas não sublime (este não pode ser fotografado). Ainda na Piazza del Duomo estão o Batisterio e o Lavatoio (que está tristemente mal conservado).

Piazza Vecchia

fachada do Duomo

Duomo, Sta Ma Maggiore e Batistério

interior da Sta Ma Maggiore


Lavatoio

As muralhas de Bérgamo foram construídas para garantir a defesa da cidade e caminhar por elas é fundamental para ter vistas maravilhosas da cidade tanto alta quanto baixa.


No largo da Porta di Sant’Alessandro (uma das portas de entrada para a cidade alta passando pela muralha), está o funicular com destino ao Colle de San Vigilio que já foi fortaleza no século VI. Localizado numa altitude de aproximadamente 500 metros, a partir daí há uma esplêndida vista da cidade.


O funicular é uma das maneiras de deslocamento da cidade baixa para a alta. As outras duas seriam com ônibus ou caminhando (a que vai te dar mais prazer, mas prepare as pernas). 

Não entrei na Academia Carrara, mas certamente é um museu com um acervo de respeito e que conta parte da história da cultura italiana.

Na Città Bassa fizemos uma excelente caminhada que incluiu: a Via Sentierone, onde encontra-se uma das antigas portas da cidade (Porta Nuova); a Via Venti Settembre, tradicional rua das compras da cidade e que termina na famosa Piazza Pontida; a Via Sant’Alessandro, conhecida também pelo movimentado comércio.




E estando na Itália vamos falar de comida, né? O típico Casoncelli bergamasco eu comi TRÊS vezes nos quatro dias em que estive em por lá, é a dica principal. Mas também provei a polenta bergamasca con porccini (recheada com queijo!!) e a polenta taragna, além de sorvete, óbvio!









  

Zaragoza

Zaragoza, capital da Comunidade Autônoma de Aragón, é a quinta cidade mais populosa da Espanha, com cerca de 600 mil habitantes.
A cidade situa-se na beira do Rio Ebro, e por sua localização geográfica privilegiada foi conquistada pelo Império Romano nos idos do século 14 a.C, recebendo o nome de Caesaraugusta, em homenagem ao imperador César Augusto.


O legado deixado pelo Império Romano sobrevive até hoje e é uma das principais e mais legais atrações de Zaragoza.
Na década de 70 escavações foram feitas e durante esse trabalho foram encontradas as ruínas do Teatro Romano que tem dimensões bem impressionantes (tinha capacidade para 6000 pessoas).



Também fazendo parte do conjunto arquitetônico da época romana estão as Termas, o Forum Romano e as Muralhas. Todo o conjunto é chamado de Ruta de Caesaraugusta (Mueso del Foro, Museo de Las Termas Publicas, Museo del Puerto Fluvial e Teatro Romano) e há ingresso que vale para a visita a todos os monumentos.



A história do Fórum é interessantíssima. Eita povo inteligente esses romanos, viu? Os caras manejavam controle de água e esgotos como ninguém. Construíram a cidade ao nível do rio e logo à primeira enchente (foram mexer com a natureza já viu, né?) viram que tinham que a reconstruir metros acima e o fizeram. Danados! Bom, importante é salientar que mão de obra escrava não faltava e matéria prima era algo que abundava na época.
O conjunto arquitetônico da Ruta de Caesaraugusta representava o centro da atividade comercial, política, religiosa e cultural da época.


Ficamos hospedados no Hotel Don Jaime. Melhor localização não há, visto o mesmo estar a poucos passos do Fórum Romano, da Ponte de Pedra e da impressionante Basílica de Nuestra Señora Del Pilar.
A Basílica é local de peregrinação por sua história datada do ano 40. Diz a tradição que neste ano a Virgem Maria apareceu para o apóstolo Santiago em Zaragoza e levou consigo um pilar para que a partir dele fosse construído um templo. Esse templo foi crescendo, crescendo e é hoje essa magnitude que é a Catedral da cidade.



No centro da cidade de Zaragoza há ainda vários outros pontos que merecem ser visitados, como a Lonja de Mercadores, o Arco de Deán, a Catedral de San Salvador e o Palacio de Montezumo.

Um pouco fora do centro histórico está o Palácio de Aljafería, testemunho da arquitetura islâmica da época das Taifas (reinos que se formaram após a abolição do califato de Córdoba, no ano 1031). O Palácio tornou-se palácio dos reis cristãos após a Reconquistas, e é, portanto, um belo exemplo da arquitetura mudéjar, tão característica da Espanha, além de ser patrimônio da humanidade da Unesco.




Mas como em todas as cidades, Zaragoza não é somente pontos turísticos, história, arte e cultura; Zaragoza também é "tapeo", é cañas, é frutos do mar, é comida espanhola!

O lugar mais típico para "sair de tapas" na cidade é El Tubo, bairro lotado de bares e gente. Mas não fique somente aí. Descubra pequenas pracinhas, ruas estreitas, tabernas esquecidas pela turistada.... é só sair caminhando e seguir seu instinto. Zaragoza é certeza de boa comida, boas tapas e diversão a qualquer hora do dia e da noite.





Malmø

Estava super animada para ir para a Suécia, primeiramente por colocar meus pés em outro país escandinavo, e em segundo lugar por ter a chance de cruzar a Ponte de Øresund, esta, que é uma ponte túnel, tem 7845 metros de comprimento e é a maior ponte rodoferroviária da Europa. Foi inaugurada em 2000.
Do lado dinamarquês ela é um túnel, pois fica muito próxima ao aeroporto de Copenhagen, e portanto seus pilares poderiam atrapalhar os pousos e decolagens. E do lado sueco é uma ponte com estrada para veículos automotores e com linha de trem.

Deixo aqui uma foto roubada da internet para que se veja como verdadeiramente é esta impressionante obra:


Então é isso, a partir daquele local onde parece que a ponte some, inicia-se seu trajeto por túnel até o outro lado.

Fizemos a travessia de trem, por ser mais barato (ainda que mesmo assim seja caro) do que o mesmo trajeto feito de ônibus. Mas imagino que de ônibus deva ser mais legal para ter uma boa visão porque a estrada para autos é na parte mais alta da ponte.

Quanto a Malmo não achei muito interessante (mas isso não me tira em nada a vontade de conhecer Estocolmo e outras cidades suecas). Meio triste, meio suja, meio com cara de mal cuidada. Cara se comparado a orçamento de reles mortais, mas levemente mais barata que Copenhagen.

Caminhamos pelo centro, tomamos uma cerveja com hambúrguer e pegamos o trem de volta para o lado dinamarquês.












Copenhagen

A Escandinávia sempre esteve presente nos meus sonhos de viagem, porém distante do meu orçamento.
Tudo ficou mais possível quando vim morar em Madrid e a Ryanair decidiu por mim qual o primeiro dos quatro países a ser visitado (digo quatro porque incluo aí a Islândia, que nem sempre vejo considerado como país escandinavo e sim nórdico).
Toda a Escandinávia é muito cara para os mortais, então, uma passagem barata faz uma diferença enorme na hora de resolver onde colocar os seus pés primeiramente. O segundo passo é decidir alojamento. Os preços de hotel ou mesmo hostel com quartos coletivos beiram o surrealismo. Mas um quarto no aconchegante apartamento de Anne, no distrito de Christianshavn, alugado pelo Airbnb, fora a salvação e certo alívio no bolso.





E de onde vem o sonho de conhecer a Escandinávia?
Do ideal de civilização avançada com respeito ao próximo e aos direitos humanos que povoa o meu imaginário.
Da vontade de saber como sobreviver em terras geladas boa parte do ano.
Do desejo de estar lá na parte superior do mapa (sim, eu sonho com nortes, suls, oestes e lestes do mapa mundi).

Foram três dias batendo perna pela cidade. E três dias de sorte porque não choveu e a temperatura estava agradabilíssima.

As coisas práticas:

Comprar um bilhete de transporte de 72 horas logo ao chegar no aeroporto. É caro? É (combinemos assim, não é necessário fazer essa pergunta porque a resposta vai ser sempre "É" acrescida de um "Mas tudo é possível" ou "Mas há jeito para tudo"). 
Conhecer o sistema de transporte das cidades para mim faz parte do passeio e acho importante andar no metrô de Copenhagen, bem como pegar ônibus na cidade e o melhor, o barco-ônibus que cruza os canais mais largos está incluído no bilhete de 72 horas, então vale a pena, além do que nesse bilhete já inclui a chegada e saída do aeroporto para o centro. Aliás, dos lugares onde já estive, Copenhagen é a cidade grande onde mais fácil é o deslocamento do aeroporto para o centro.
Qual o preço do ticket? 200 Coroas Dinamarquesas (em novembro/2015 1 Euro = 7,2 coroas dinamarquesas) (a Dinamarca faz parte da União européia, porém não aderiu ao Euro, mantendo a Coroa Dinamarquesa como sua moeda).

Por onde andamos:
Comecemos pelo local onde ficamos hospedados, o bairro de Christianshavn, local tranquilo, bastante residencial, com cafés muito legais e uma bela igreja, a Vor Frelsers Kirke.




É também em Christianshavn que tem lugar a comunidade de Christiania.
Christiania foi fundada por um grupo de pessoas que em 1971 decidiu ocupar uma área militar abandonada em Copenhagen. A ideia era construir uma sociedade alternativa e autônoma, portanto livre das leis do Estado, onde todos pudessem conviver em harmonia, sem hierarquia, com decisões sendo tomadas em grupo através do consenso.
As drogas tinham lugar certo na "cidade-livre" de Christiania e, na década de 80 o aumento do seu consumo e constantes brigas com o establishment acirraram os ânimos no local.
Atualmente, apesar das de tais drogas não serem legalizadas na Dinamarca (e consequentemente, ainda que os "christianios" não queiram, também não são legalizadas em Christiania), você encontra várias barraquinhas vendendo maconha e haxixe na Pusher Street, principal rua da cidade livre. E obviamente, muita gente fumando nas diversas mesas ao ar livre que há em Christiania.
Há também em Christiania bares dos mais variados tipos, com música ao vivo, com mesas em salões e do lado de fora, bares "álcool free", além de barraquinhas de comida e artesanato.
E há sobretudo a vida cotidiana local: crianças indo e vindo, escolas, locais para reciclagem de lixo, locais para shows e uma imensa quantidade de área verde com um belo lago que rodeia toda a imensidão do lugar.
Fotos são terminantemente proibidas na Pusher Street. Apesar de ter visto gente fotografando em locais mais afastados da rua principal optei por seguir o que as placas pedem: NO PHOTOS. Na entrada da comunidade as fotos são bem vindas.

(a bandeira vermelha com três bolas amarelas é a bandeira de Christiania e há uma moeda local, apesar de que você pode usar a coroa dinamarquesa para pagar qualquer compra que faça por lá)

A minha impressão de Christiania foi a de um lugar meio que parado no tempo. Já ouvi relato de gente que foi abordada por locais para reforçar que não pode tirar fotos ou para que perguntassem qual a sua nacionalidade. Já ouvi relato de gente que achou o local deprimente, cheio de junkies e sem vida. Para mim nada disso serve como descrição do lugar. Além de me dar a sensação de ter parado no tempo, Christiania me pareceu uma grande controvérsia entre o proibido e o legal. A ideia é que o consumo de "drogas leves" seja permitido, no entanto é facílimo descobrir quem são os vendedores que estão por ali sempre encapuzados e vestidos de preto dos pés à cabeça. Difícil pensar que não há um acordo entre polícia e vendedores para que a paz seja mantida. Tem também uma galera meio "zumbi" andando por ali (o consumo claramente não é somente de marijuana e haxixe), mas isso não me deprime. O que talvez me incomode é o fato de o local ter virado reduto turístico com grupos de excursão guiada entrando (por sorte) bem na hora em que eu estava indo embora. A ideia inicial de paz e harmonia, pelo menos na minha cabeça, não combina com grupos de turistas que passam várias vezes ao dia para visitas guiadas.

Saindo de Christianshavn.

O porto de Copenhagen, o Nyhavn (que significa novo porto, mas é bem antigo), é uma região bem turística, cheia de bares com comida típica local e com barcos que fazem passeios por outros canais que se originam deste principal. Hoje área de lazer para turistas, o porto outrora fora área de lazer para os marinheiros que tinham aí ao seu dispor as casas de prostituição e bares com muito álcool para agüentar (sim, insisto no trema) a profissão e o frio.




para dar uma ideia da conta

O nosso passeio de barco não foi usando os barcos turísticos que saem do Nyhavn e sim usando o ticket de transporte que dá direito a usar os barcos que são ônibus :)
Esse meio de transporte é o máximo, porque além de incluído no ticket (o que em se falando de Copenhagen significa MUITA economia), você pode ir parando nos diversos pontos, descendo, dando uma checada no que tem ali e seguindo no próximo barco, tipo um "hop-on, hop-off" sem ser turistão.





A Dinamarca é uma monarquia constitucional e é na sua capital onde fica a residência oficial da família real. O Palácio de Amalienborg, está localizado numa praça majestosa no distrito de Frederiksstaden, onde está também localizada a incrível Igreja de Mármore (Marmorkirken).




Próximo ao complexo de palácios reais está a Citadela (Kastelet) onde encontra-se a famosa "Pequena Sereia", símbolo da cidade, que representa uma personagem famosa de um dos contos do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. 

Kastelet:


Sei que parece estranho alguém que vai a Copenhagen não ir até a Pequena Sereia, mas o fato é que tem que caminhar muito para chegar até ela e eu estava mais interessada em ver algo mais interessante que fica também aí próximo, o Nyboder, um conjunto de casas construídas em 1631 para abrigar os trabalhadores da Marinha Real. 
Hoje as casinhas de parede ocre são locais disputados (e caros) de moradia que guardam a história do passado .



Nenhum país concentra num mesmo prédio os poderes executivo, legislativo e judiciário, exceto a Dinamarca. O Palácio de Christiansborg (Christiansborg Slot) é centro único do poder político do país há mais de 800 anos. Foi residência real, até um incêndio no século XVIII, passando após sua reconstrução a ser apenas órgão político.


Da sua torre a vista é essa:



E vê-se também o prédio da Bolsa de valores que cuja famosa torre é formada pelas caudas entrelaçadas de quatro dragões:


A região nos arredores da Strøget (rua de pedestres onde está concentrado o maior centro de comércio de Copenhagen) é para ser percorrida à pé. Mas não só a Strøget como também as perpendiculares que saem dela junto com as ruazinhas paralelas estreitas cheias de surpresa, como esse café onde comemos e bebemos muito bem.


Outras coisas bacanas de Copenhagen:

Gråbrødretorv: praça com casinhas coloridas cheia de restaurantes e bares


A austera e bela catedral:


A Sankt Nikolaj Kirke que já foi igreja e é hoje uma galeria de arte contemporânea:




O mercado Torvehallerne, com suas barraquinhas de comidas e vinhos e o Copenhagen Street Food, conglomerado de food trucks com comida do mundo inteiro:


Torvehallerne


Copenhagen Street Food


Um café lindo no meio da rua:



Os vagões para bicicletas e os estacionamentos de bicicletas próximos às estações de trem e metrô:



A lindinha moeda dinamarquesa:


Eu no lar do Lars Von Trier (Cinemateket - Det Danske Filminstitut):


De Copenhagen fizemos um bate e volta para Malmø, na Suécia. Contarei tudo no próximo post.