sexta-feira, 1 de maio de 2015

Gdansk - a cidade do Solidarność

Depois de um dia e meio em Varsóvia partimos de trem para Gdansk.


Eu estava com muitas expectativas a cerca de Gdansk. É uma cidade com uma história bem especial, digamos assim, visto ser o o local por onde Hitler invade a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial.

A coisa deu-se mais ou menos e resumidamente assim: no dia 1º de setembro de 1939 Hitler, com o pretexto de que a invasão era uma resposta a um ataque polonês feito a uma estação de rádio alemã, entra na cidade de Gdansk pela península de Westerplatte, e, usando técnicas de blitzkrieg, em poucos dias já toma a capital Varsóvia e consequentemente o país.

Gdansk foi fundada no século X, era uma cidade de gente muito rica, um porto muito importante na Europa, além de ter também como fonte de riqueza e moeda de troca o comércio de âmbar.
(o âmbar é uma resina vegetal que se tornou fóssil há milhões de anos e é encontrada principalmente na região do Mar Báltico. Usado como ornamento, nas peças de âmbar podem ser encontradas espécimes vegetais, insetos, aranhas, crustáceos e outros organismos minúsculos que foram envolvidos pelo exsudato quando este ainda era um fluido).

Entretanto, a cidade livre, rica e próspera, viu-se mutilada e nas mãos do exército nazista, caindo posteriormente sob controle do exército soviético. Até que ao final da década de 70 e início dos 80, a figura de Lech Wałęsa, nascido aí em 1943, começou a mudar o rumo das coisas e levar o país e o bloco comunista do leste Europeu para a democracia.



O movimento Solidarność, liderado por Wałęsa, teve início nos estaleiros Lenin, em Gdansk. Desse modo, podemos dizer que essa cidade foi testemunha ocular do início da Segunda Guerra, como também foi palco do início do fim do domínio comunista.
(Obs: os estaleiros entraram em decadência e muitos dos seus trabalhadores ficaram desempregados, hoje o dono é um magnata ucraniano e no local constroem-se iates para multi milionários)
Portanto, ainda que distante do nosso roteiro inicial que seria Varsóvia e Cracóvia, não era possível deixar de ir até Gdansk. E digo, é uma das cidades mais bonitas que já conheci.


Depois da guerra, na Cidade Antiga de Gdansk, o que sobrou foi somente a torre da Prefeitura, que fica na sua rua principal, a Ulica Dluga, conhecida também como Rota Real, pois era por onde passavam os diversos monarcas que a Polônia já teve.
É nesta rua, bordeada por belíssimas casas que foram reconstruídas tal como eram antes da guerra, que está a Praça do Mercado com suas famosas Casa Dourada, Casa de Artur e Fonte de Netuno. A rua liga duas portas, a Porta Dourada e a Porta Verde.
As belas fachadas da Ulica Dluga representam, na verdade, uma briga entre os ricos da região. Cada um queria fazer sua fachada mais imponente e mais bela que a do vizinho. O resultado dessa bizarrice do comportamento humano é a belezura de rua que ficou.



Outra bela rua do centro antigo de Gdansk é a Ulica Mariacka (Nossa Senhora). Nesta rua, com a igreja de mesmo nome ao fundo, ficam diversos atelliers de joalheiros de âmbar da cidade.


Saindo da Ulica Dluga pela Porta Verde e virando à esquerda, vamos cair na marina de Gdansk, onde se tem a visão da construção mais emblemática da cidade, a grua medieval.
Esta imensa grua de madeira, que era a maior grua da Europa na época medieval, também sofreu graves danos durante a Guerra, sendo restaurada em 1962.


Andar pela marina de Gdansk é programa obrigatório. Como as outras cidades da Polônia que visitamos, Gdansk não é cara, mas é mais cara do que Varsóvia. Na sua marina e na Ulica Dluga, era de se esperar que os preços de bares e restaurantes fossem um pouco mais altos. Portanto, escolhemos para comer um restaurante-barco, com cara de modesto que fica ancorado permanentemente aí.
Olha, comemos um dos melhores peixes da vida, com atendimento super especial. Foi aí que tomamos também a cerveja que passamos a chamar de cerveja do Solidarność:


Saindo um pouco dos arredores da rua principal do centro histórico e da marina, podemos ver o Grande Moinho, que funcionou até a época da Guerra sendo reconstruído em 1962 e a Igreja de Santa Brígida, que era a paróquia de Lech Wałęsa e foi santuário do Solidarność nas greves dos anos 80.



Em Gdansk, assim como em Varsóvia, vê-se muitos jardins atrás das fachadas de suas construções. Mais uma vez digo que isso me impressionou porque vejo a vida mais leve em cidades que não são totalmente tomadas pelo concreto.
Como fiz no post de Varsóvia, vou colocar aqui uma foto do googlemaps ilustrando o que digo:


Por fim, gostaria de dizer que ficamos no Hostel 22 (http://hostel22.pl/en), muito próximo ao centro antigo de Gdansk, e que, em frente à nossa janela havia um bunker!
Sim, nunca pensei que um dia fosse ter a oportunidade de fazer minhas necessidades fisiológicas olhando para um bunker de Hitler!!!
Este bunker, um dos únicos que foi construído verticalmente e não no subterrâneo, é hoje um bar/disco e conservou em seu interior muitas coisas da antiga função do monstrengo.









Nenhum comentário:

Postar um comentário